Por Professor Rafael Parente
Candidato a deputado federal pelo PDT — Distrito Federal
Os resultados do Ideb 2025 impõem ao Distrito Federal uma reflexão séria e inadiável. O ensino médio da rede pública recuou enquanto a ampla maioria das unidades da Federação avançou, com queda também nas aprendizagens de Língua Portuguesa e Matemática. Como pesquisador em educação e ex-secretário de Educação do DF, conheço essa rede e afirmo com convicção: não nos faltam professores competentes, diretores comprometidos ou estudantes capazes. O que tem faltado é valorização profissional, gestão estratégica, centrada na aprendizagem, continuidade e uma política educacional construída com as escolas, e não distante delas.
O contraste revelado pelos dados é ainda mais grave: o território com o maior PIB per capita do país apresenta o menor Ideb do ensino médio entre as redes estaduais e a rede distrital. PIB per capita não se confunde com investimento educacional nem determina sozinho a qualidade da aprendizagem, mas esse abismo mostra que o DF dispõe de capacidades humanas, técnicas, institucionais e fiscais que não estão sendo convertidas em oportunidades para seus jovens. Orçamento é escolha política escrita em números. Quando a educação perde espaço na disputa pelos recursos públicos, faltam condições para valorizar profissionais, apoiar as escolas, enfrentar desigualdades e garantir que todo estudante aprenda. A sociedade tem o direito de cobrar prioridades claras, gestão competente, transparência e responsabilidade política.
Brasília foi concebida para ser referência nacional, inclusive na educação pública. Recuperar essa vocação exige respeitar quem ensina, formar e apoiar as lideranças escolares, acompanhar cada estudante, transformar experiências bem-sucedidas em políticas de Estado e assegurar, no orçamento, os recursos necessários para sustentá-las ao longo do tempo. O Distrito Federal conhece seus problemas, possui inteligência para enfrentá-los e tem condições de voltar a liderar. O que falta é fazer da educação uma prioridade verdadeira, presente nos discursos, nas decisões e, sobretudo, no orçamento.




